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Gravidez após os 40 anos: quais os riscos?

Com a mudança do estilo de vida, seja por causa dos fatores socioeconômicos, da maior escolaridade ou mesmo da maior participação da mulher no mercado de trabalho, nas últimas décadas o perfil das mães brasileiras mudou.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de mulheres que tiveram filhos após os 40 anos, aumentou mais de 45% em 20 anos.

Se em 1995, 51 mil mulheres tornaram-se mães após os 40 anos, no ano de 2015, esse número chegou a 72.290. (gráfico)

Outra mudança:famílias menores e mães mais velhas, foi o que o registou o último censo demográfico do IBGE, realizado em 2010.

O número de filhos por mulher (taxa de fecundidade) vem caindo ano a ano e dados mais recentes apontam 1,7 filhos por mulher.

Nesta entrevista, a Dra. Roberta Ottoboni, ginecologista especializada em reprodução assistida, fala sobre alguns importantes aspectos dessa nova realidade, principalmente sobre os efeitos da idade sobre o corpo das mulheres.

A partir de qual idade uma gravidez já é considerada tardia?
[Dra. Roberta Ottoboni] A partir dos 35 anos a gravidez já pode ser considerada tardia.

E a gravidez acima dos 40 anos, traz riscos?
[Dra. Roberta Ottoboni] Para a futura mamãe, são maiores as chances de ter complicações durante os próximos nove meses como diabetes gestacional e pré  eclampsia (pressão alta típica da gravidez). Também podem ocorrer abortos e partos prematuros em uma taxa mais alta do que em mulheres mais jovens. O risco de anomalias cromossômicas, como a Síndrome de Down, também  aumenta significativamente após os 40 anos.

Algum fator pode influenciar na aceleração da queda de fertilidade?
[Dra. Roberta Ottoboni] O contato com poluentes e agrotóxicos, o consumo de álcool, cigarro e outras drogas podem influenciar de forma negativa na fertilidade. A obesidade pode levar a uma alteração na produção hormonal, bloqueando a ovulação. Em alguns casos, basta perder peso para o retorno da fertilidade.

Lembramos também de pacientes que serão submetidos a tratamentos oncológicos (quimioterapia e radioterapia), já que esses tratamentos podem comprometer futuramente a fertilidade. Esses pacientes devem ser encaminhados a especialistas que os orientarão em relação a manutenção de sua capacidade reprodutiva.

Como a pílula anticoncepcional interfere na fertilidade? É mito ou verdade que seu uso contínuo pode causar infertilidade?
[Dra. Roberta Ottoboni] A pílula anticoncepcional suprime a ovulação, ou seja, como os óvulos não chegam aos ovários, não há oportunidade de fertilização.

Algumas mulheres, ao cessar o contraceptivo podem engravidar no ciclo posterior; já outras, precisam de 2 a 3 meses (ou as vezes até mais) para o organismo retornar à produção hormonal adequada.

Diferente do que muitas mulheres pensam o uso contínuo da pílula não interfere na fertilidade, ela pode até ajudar a preservá-la, controlando e evitando doenças como a endometriose, os cistos no ovário e os miomas.

Quais as opções atuais, em termos de tecnologia clínica, para mulheres que não desejam engravidar aos 30?
[Dra. Roberta Ottoboni] Pacientes que não desejam engravidar devem pensar em congelar os óvulos até os 35 anos, lembrando que após essa idade há um declínio tanto na quantidade quanto na qualidade dos óvulos.

Quem não pode ir por este caminho, por exemplo, tem outras soluções?
[Dra. Roberta Ottoboni] Devemos nos lembrar dos fatores citados anteriormente, que podem influenciar de forma a acelerar a queda da fertilidade como tabagismo, obesidade, contato com substancias tóxicas e evitá-los.  Manter uma dieta saudável, atividade física e exames ginecológicos em dia.