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Idade materna X infertilidade

Com o passar da idade, homens e mulheres apresentam maiores dificuldades para ter um bebê. A Idade materna é um fator marcante, pois os óvulos que vão sendo utilizados e “descartados” ao longo dos anos não são repostos pelo organismo. Já no caso dos homens, a produção de espermatozoides não é interrompida, mas eles também “envelhecem”.

As mulheres nascem com milhares de folículos (estruturas que contêm os óvulos), que se formaram ainda no útero materno. Aproximadamente 300.000 folículos estão presentes na adolescência. Porém, a cada mês são gastas cerca de 1.000 dessas estruturas para que apenas um óvulo torne-se maduro e seja ovulado. O restante é perdido e absorvido pelo corpo.

Isso significa que as mulheres já nascem com um período pré-determinado de fertilidade, e à medida em que envelhecem vão “gastando” sua reserva de óvulos. A partir dos 35 anos elas se tornam gradativamente inférteis pela ausência de gametas.

Além da maior dificuldade para conseguir engravidar, com o passar da idade cronológica os óvulos “envelhecem” e a mulher com idade superior a 35 tem maiores chances de anormalidades cromossômicas.

Alterações

Até os 35 anos, a chance de ter um bebê com alteração cromossômica é de 0,52%. Já em mulheres com mais de 35 essa probabilidade aumenta gradativamente: 40 anos, 1,5% de chance; aos 42 anos, 2,4%; aos 44, o risco é de 3,9%.

O risco de aborto espontâneo também é maior nas mulheres com idade mais avançada: 11,7% até os 35 anos, 17,7% nas mulheres de 35 a 39 anos e superior a 33% nas mulheres mais velhas.

Nos Estados Unidos, estima-se que uma em cada cinco mulheres tem o seu primeiro filho após os 35 anos. No Brasil não existem estatísticas oficiais. É importante destacar que uma mulher sadia pode ter uma gestação e um parto tranquilos mesmo com idade mais avançada. Porém, a idade materna mais elevada preocupa os médicos com relação ao aumento de alguns fatores de risco.

Riscos

“Levando em consideração apenas a saúde da mulher, a época mais propícia para a gravidez é dos 20 aos 30 anos. A partir dos 35 já se observa um leve declínio na fertilidade, que tende a aumentar com o passar dos anos. Além disso, quanto mais avançada a idade, maior a exposição a fatores que podem comprometer a fertilidade, como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), inflamação nas trompas, aparecimento de miomas ou endometriose – sendo esta última a causa mais comum de infertilidade feminina e que acomete cerca de 30% das mulheres inférteis”, observa a médica Daniele Mansur Varjão, ginecologista do Fertility – Centro de Reprodução Assistida de Bauru.

A gravidez tardia também tem riscos altos como aborto (a incidência é maior no primeiro trimestre da gestação), hipertensão, diabetes, parto prematuro e maior chance do feto ter síndrome de Down.

Quando a mãe tem 20 anos, apenas um bebê em cada 1.500 nasce com essa síndrome. Aos 35 anos, há um caso de Down por 300 nascimentos e aos 45 anos, há um em 20 nascimentos.

“É importante salientar que a gravidez tardia não é contraindicada se a mulher estiver bem de saúde, se não tiver problemas metabólicos e for acompanhada adequadamente. Por isso, fazer um pré-natal específico é fundamental para que a gestação e o parto ocorram sem problemas”, destaca a ginecologista do Fertility.