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Infertilidade masculina está ligada a taxa de mortalidade

Após a divulgação de dois estudos feitos na Alemanha e na Dinamarca, uma pesquisa americana recente revelou novos dados que ligam a infertilidade masculina ao aumento da taxa de mortalidade. De acordo com o Dr. Michael Eisenberg, professor da Universidade de Stanford e principal autor do estudo, os homens que são inférteis devido a defeitos no sêmen têm maior probabilidade de morrerem jovens.

O risco em homens que possuem duas ou mais anormalidades em seus espermatozoides aumenta duas vezes em comparação àqueles cujo sêmen não apresenta alterações. Ainda segundo o pesquisador, os números se equiparam aos índices de mortalidade de pessoas que sofrem de diabetes ou fumam.

Durante as pesquisas feitas na Universidade de Stanford, foram analisados os registros de aproximadamente 12 mil homens entre 20 e 50 anos, no período compreendido entre 1994 e 2011. Eles haviam procurado auxílio médico para o diagnóstico de possível infertilidade.

Correlação

O estudo demonstrou forte correlação entre a baixa qualidade do sêmen e o aumento das chances de sofrer hipertensão, doenças de pele ou endocrinológicas. “É preciso dar mais atenção aos homens com diagnóstico de infertilidade, pois é um alerta para outros problemas de saúde”, observa o urologista Aguinaldo Nardi, diretor técnico do Fertility – Centro de Fertilização Assistida de Bauru.

Em outro estudo norte-americano, ao avaliar cerca de 9,3 mil homens com idade média de 38 anos, os pesquisadores concluíram que, em metade dos casos, a infertilidade era causada por problemas relacionados ao volume, concentração e mortalidade do sêmen.

E mais: em 44% dos casos, esses pacientes também tinham problemas adicionais de saúde, em sua maioria relacionados ao sistema circulatório, principalmente hipertensão, doenças vasculares e do coração. Também foram verificados problemas de pele e do metabolismo.

Genoma humano

De acordo com Nardi, 15% de todos os genes do genoma humano estão ligados à reprodução, e muitos deles também desempenham funções diversas no organismo.

Todas essas pesquisas já mostraram que não apenas uma doença pode estar relacionada à infertilidade, como também o tratamento de uma determinada enfermidade pode ser responsável por problemas reprodutivos.

“A saúde masculina está diretamente ligada à qualidade do sêmen. Por isso, cada vez mais essa correlação (infertilidade e aumento das taxas de mortalidade) deve ser analisada com muito cuidado. Em muitos casos, ao buscar uma clínica especializada em tratamentos para a infertilidade, o homem descobre a oportunidade de tratar outras condições para melhorar o estado geral de sua saúde”, destaca o médico.

Segundo Nardi, já é possível afirmar que o aumento da frequência de anomalias reprodutivas masculinas reflete os efeitos adversos de fatores ambientais ou do estilo de vida. Portanto, é fundamental cuidar da saúde ao mesmo tempo em que nos preocupamos em adotar hábitos diários que promovam a qualidade de vida. Caso contrário, a saúde e a fertilidade das gerações futuras estarão em risco.