Novidades

Obesidade interfere na fertilidade de homens e mulheres

Durante muitos anos, a mulher foi o foco principal das pesquisas que relacionavam a influência da obesidade nos casos de infertilidade. Mas os estudos sobre reprodução humana avançaram e, atualmente, uma série de dados científicos comprova que o excesso de peso também afeta as taxas de fertilidade masculinas.

No caso dos homens, o maior estudo já realizado sobre o tema – feito com 1.940 pacientes em Paris, na França – comprovou que o esperma de pessoas obesas é mais pobre em espermatozoides. Os pesquisadores analisaram o volume de esperma, o pH, a concentração por ml, o número total, a mobilidade, a vitalidade, a taxa de formatos atípicos e outros dados. Todos esses fatores foram relacionados com o índice de massa corporal (IMC) de cada um dos voluntários.

Com um IMC (resultante do peso dividido pela altura ao quadrado) inferior a 18, a pessoa é considerada magra; entre 18 e 25, o peso é normal; entre 25,1 e 30 há sobrepeso, e o indivíduo é obeso quando o resultado supera 30.

A qualidade do esperma diminui e os óvulos sofrem alterações que podem dificultar o desenvolvimento embrionário.

Concentração e mobilidade

Segundo os autores da pesquisa, quanto maior o sobrepeso, menor a qualidade do esperma, principalmente no que se refere à concentração e ao número total de espermatozoides. Nos pacientes com sobrepeso, essa concentração é 10% menor. Já nos obesos, chega a 20%. A mobilidade dos espermatozoides também diminui em 10%.

Para os pesquisadores, isso acontece devido a desordens hormonais causadas pelo excesso de peso, que dificultam a fabricação de novos espermatozoides saudáveis.

No homem de peso normal, existe um estímulo natural dos testículos através de hormônios que induzem a produção da testosterona (hormônio masculino), bem como estimulam o amadurecimento das células que irão se transformar em espermatozoides.

Nos homens obesos, esse processo natural é afetado e os estímulos para a produção de espermatozoides diminuem. Por outro lado, há uma boa notícia: 300 pacientes conseguiram voltar a ter um esperma saudável após emagrecer.

Nas mulheres

A obesidade também é nociva às mulheres que pretendem ter filhos, pois pode dificultar a gravidez e afetar sua saúde reprodutiva, principalmente nos primeiros estágios da gestação – o que aumenta os riscos de aborto.

De acordo com a médica Daniele Mansur Varjão, ginecologista do Fertility – Centro de Fertilização Assistida de Bauru, o excesso de peso pode até gerar dificuldades de fertilização em procedimentos de reprodução assistida. Para ela, uma alimentação adequada e a prática regular de exercícios físicos podem minimizar grande parte dos riscos relacionados à obesidade materna.

“É importante reduzir o consumo de gordura trans e de carne vermelha e aumentar a quantidade de proteína vegetal, fibras e carboidratos de baixo índice glicêmico, além de alimentos à base de leite integral. O excesso de gordura afeta a ovulação por conta da sensibilidade à insulina”, explica a médica.
Nutrição

A condição nutricional feminina também exerce influência direta em determinadas doenças que merecem um acompanhamento mais intenso durante a gravidez, como a endometriose e a síndrome dos ovários policísticos.

Segundo a dra. Daniele, o excesso de peso pode gerar dificuldades de fertilização, mesmo em procedimentos de reprodução assistida. Por isso, o estado nutricional de cada paciente que está enfrentando dificuldades para engravidar deve ser avaliado individualmente.

Estudos desenvolvidos no Instituto Sapientiae, braço acadêmico do Grupo Fertility, revelam que pessoas que modificaram seus hábitos alimentares – reduzindo o consumo de fast food e bebidas alcoólicas – durante o tratamento de fertilização assistida duplicaram as chances de engravidar.